Suplementação com Vitamina K2 sobre os Marcadores Bioquímicos da Remodelação Óssea em Pacientes com Osteoporose Pós-Menopáusica
A vitamina K2 desempenha um papel fundamental na homeostase do cálcio, e sua deficiência tem sido associada a uma baixa incorporação de cálcio ao osso, juntamente com o aumento da calcificação vascular. Esse fenômeno explica-se porque a K2, isoladamente ou em combinação com a vitamina D, contribui para auxiliar na redução da perda óssea e melhorar a resistência do esqueleto, especialmente em mulheres pós-menopáusicas.
Nesse contexto, uma metanálise recente avaliou os efeitos da vitamina K2 sobre biomarcadores da remodelação óssea em mulheres pós-menopáusicas com osteoporose. A análise incluiu 9 estudos com 2.570 participantes, com idade média entre 60 e 77 anos e, na maioria dos casos, com intervenções de aproximadamente 6 meses. Um aspecto relevante é que a maioria dos ensaios utilizou uma abordagem de terapia combinada, na qual a vitamina K2 foi adicionada a tratamentos padrão com cálcio e vitamina D, por vezes associada a outros fármacos ativos para o osso. Entre os biomarcadores avaliados, os mais frequentes foram a osteocalcina (OC), a fosfatase alcalina óssea (BAP) e o β-CTX.
Os resultados agrupados demonstraram que a vitamina K2 aumentou de forma significativa os níveis séricos de osteocalcina (OC) em comparação ao placebo (DM: 1,86; IC 95%: 1,17–2,56; p < 0,00001), sugerindo um efeito estimulador da formação óssea. Embora a heterogeneidade observada tenha sido elevada, o efeito mostrou-se mais pronunciado em doses de 45 mg/dia em comparação com 15 mg/dia, indicando uma possível relação dose–resposta. Um ponto importante é que a heterogeneidade foi substancialmente reduzida nos estudos cujo grupo controle incluía bisfosfonatos combinados com cálcio e vitamina D, sugerindo que diferenças na terapia de base podem explicar parte da variabilidade. Além disso, intervenções com duração igual ou superior a 6 meses apresentaram resultados mais estáveis, sugerindo que a ação da K2 pode requerer tempo suficiente para se manifestar plenamente.
De forma complementar, a metanálise também demonstrou que a K2 reduziu significativamente os níveis de osteocalcina subcarboxilada (ucOC) em comparação ao placebo (DMP: –1,54; IC 95%: –2,44 a –0,64; p = 0,0008), refletindo uma melhor carboxilação da osteocalcina e maior atividade metabólica óssea.
Em relação aos marcadores de reabsorção, a suplementação com K2 reduziu de maneira discreta o CTX (DM: –0,09; IC 95%: –0,14 a –0,05; p < 0,0001). No entanto, essa redução foi pequena, sugerindo um impacto restrito sobre a reabsorção óssea neste marcador específico. Em contraste, a vitamina K2 aumentou de forma significativa os níveis séricos de BAP (DM: 1,49; IC 95%: 0,98–2,00; p < 0,00001), reforçando seu papel no estímulo da formação óssea.
Além disso, a vitamina K2 reduziu de maneira significativa os níveis de TRAP (DM: –0,83; IC 95%: –1,21 a –0,46; p < 0,0001), um marcador diretamente relacionado à atividade osteoclástica.
Em síntese, a suplementação com vitamina K2 esteve associada a modificações metabólicas favoráveis em mulheres com osteoporose pós-menopáusica, demonstrando aumentos significativos de OC e BAP, bem como reduções de ucOC e TRAP, sustentando uma maior atividade formadora de osso e melhor carboxilação mediada pela vitamina K.
Zhang Z, Li Y, Li J, Yuan Y, Liu K, Shi X. The effect of vitamin K2 supplementation on bone turnover biochemical markers in postmenopausal osteoporosis patients: a systematic review and meta-analysis. Front Endocrinol (Lausanne). 2025;16:1703116.