Vitamina D e Hormônio Anti-Mülleriano – um elo vital na fertilidade?

Um crescente número de pesquisas sugere uma estreita relação entre a vitamina D e a fisiologia reprodutiva feminina. Diversos estudos clínicos apontam para os possíveis benefícios da vitamina D em vários aspectos da reprodução humana.

Até o momento, sabia-se que o receptor de vitamina D (VDR) era encontrado principalmente nos tecidos responsáveis pela regulação do metabolismo do cálcio, como o intestino, o esqueleto, o fígado e as glândulas paratireoides. Entretanto, também foi constatada sua presença em órgãos reprodutivos cruciais, como ovários, útero, placenta, testículos, hipotálamo e glândula pituitária.

Um exemplo importante é a ligação entre a deficiência de vitamina D e a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que se caracteriza por anovulação, hiperandrogenismo e resistência à insulina. Descobriu-se que a deficiência de vitamina D é mais comum em mulheres com SOP, e a suplementação de vitamina D demonstrou melhorar a ciclicidade menstrual, reduzir o hiperandrogenismo e melhorar vários aspectos metabólicos da síndrome, indicando um efeito benéfico direto sobre a fertilidade feminina.

Atualmente, há um debate no campo da medicina funcional sobre se a vitamina D pode influenciar a reserva ovariana, conforme indicado pelo nível do hormônio anti-Mülleriano (AMH),

O hormônio anti-Mülleriano (AMH) desempenha um papel crucial na formação do folículo ovariano e é amplamente utilizado na medicina reprodutiva como indicador da reserva ovariana.

A suplementação de vitamina D afeta os níveis de AMH em mulheres de forma diferente, dependendo de seu status ovulatório. Em mulheres com ovulação normal e sem síndrome do ovário policístico (SOP), a vitamina D aumenta os níveis séricos de AMH. Entretanto, em mulheres com SOP, a vitamina D diminui os níveis de AMH.

Esses resultados podem parecer contraditórios, mas ao considerar o contexto de diferentes ambientes foliculares e status de AMH em mulheres com SOP, eles podem ser melhor compreendidos. As mulheres com SOP têm níveis anormalmente altos de AMH no soro, e o aumento do AMH nesses casos está associado à gravidade dos sintomas da SOP. Isso sugere que a vitamina D pode melhorar a foliculogênese e explicar o aumento do AMH nessas mulheres, o que é consistente com as evidências de estudos clínicos que mostram melhorias nos sintomas após a suplementação de vitamina D.

Na verdade, vários estudos demonstraram que a suplementação de vitamina D melhora os sintomas da síndrome dos ovários policísticos, diminuindo assim os níveis de AMH e melhorando a foliculogênese e a ovulação em mulheres com SOP.

Em resumo, a vitamina D é um suplemento oral seguro e barato que apresenta benefícios potenciais para a reprodução humana, incluindo o aumento das taxas de gravidez e de nascidos vivos em tecnologias de reprodução assistida. No entanto, ainda são necessárias pesquisas para investigar se as alterações induzidas pela vitamina D nos níveis de AMH refletem alterações locais no ovário ou alterações reais na reserva ovariana da mulher.

Referencia: Moridi I, Chen A, Tal O, Tal R. The Association between Vitamin D and Anti-Müllerian Hormone: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients. 2020 May 28;12(6):1567. doi: 10.3390/nu12061567. PMID: 32481491; PMCID: PMC7352921.

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