Suplementação de Vitamina D: Justifica-se uma dose diária de 2.000 UI para adultos?

A deficiência de vitamina D constitui um problema de saúde comum, associado não apenas a doenças esqueléticas, como raquitismo e osteomalácia, mas também a diversas condições extra-esqueléticas, incluindo neoplasias, doenças autoimunes e infecções. A identificação de receptores de vitamina D (VDR) em múltiplos tecidos corporais, bem como o fato de sua ativação regular a expressão de centenas de genes de maneira semelhante às hormonas esteroides clássicas, sustenta a hipótese de um possível papel dessa vitamina em processos além do sistema esquelético.

A elevada prevalência de deficiência de vitamina D pode ser atribuída a diversos fatores, tais como exposição solar insuficiente, obesidade (que favorece o sequestro dos metabolitos de vitamina D no tecido adiposo) e ingestão dietética inadequada.

A avaliação da deficiência de vitamina D baseia-se na dosagem sérica da 25-hidroxivitamina D (25(OH)D), considerado o marcador mais aceito para refletir o status da vitamina D no organismo. Isso se deve ao fato de que a forma original da vitamina é biologicamente inativa e requer conversão hepática para exercer suas funções.

Há consenso de que concentrações séricas de 25(OH)D inferiores a 25-30 nmol/L (10-12 ng/mL) configuram deficiência e indicam necessidade de intervenção. Contudo, permanece o debate quanto ao ponto de corte ideal para níveis considerados adequados. Enquanto alguns especialistas sugerem valores ≥50 nmol/L (20 ng/mL), outros propõem um limiar ≥75 nmol/L (30 ng/mL), com base em estudos observacionais que indicam possível associação com menor risco de mortalidade e melhores desfechos em determinadas condições crônicas. Tal controvérsia inclui ainda a discussão sobre a segurança da suplementação em doses destinadas a alcançar níveis ≥75 nmol/L, dada a possibilidade de efeitos adversos decorrentes da elevação excessiva desses níveis. Adicionalmente, variações na precisão dos métodos laboratoriais utilizados para dosagem da 25(OH)D contribuem para a dificuldade na definição de metas uniformes. Dessa forma, estabelecer um objetivo ≥75 nmol/L (30 ng/mL) poderia assegurar que a maioria dos indivíduos atinja níveis superiores a 50 nmol/L (20 ng/mL), mesmo diante de metodologias que superestimem os valores circulantes de 25(OH)D.

Em relação à suplementação, evidências demonstram que a vitamina D3 (colecalciferol) apresenta maior eficácia na elevação dos níveis séricos de 25(OH)D em comparação com a vitamina D2 (ergocalciferol). A administração diária de 2.000 UI (50 µg) é considerada uma alternativa segura e adequada para a prevenção e correção da deficiência na maioria dos casos, sendo respaldada por dados de ensaios clínicos randomizados de longo prazo. Neste cenário, doses usuais de 600-800 UI (15-20 µg) podem ser insuficientes em indivíduos com fatores que interferem no metabolismo da vitamina D, como obesidade, distúrbios de absorção ou uso de determinados medicamentos.

Na abordagem da medicina ortomolecular, recomenda-se que o manejo da deficiência de vitamina D seja individualizado, considerando não apenas os níveis séricos de 25(OH)D, mas também os fatores que modulam seu metabolismo e as necessidades específicas de cada indivíduo. As evidências apontam que níveis de 25(OH)D superiores a 75 nmol/L (30 ng/mL) podem estar associados a efeitos extra-esqueléticos potencialmente benéficos, embora o monitoramento periódico seja essencial para mitigar riscos de toxicidade. A adoção dessas diretrizes pode contribuir para uma abordagem integrativa no cuidado clínico.

Referência:
Pludowski P, Grant WB, Karras SN, Zittermann A, Pilz S. Vitamin D Supplementation: A Review of the Evidence Arguing for a Daily Dose of 2000 International Units (50 µg) of Vitamin D for Adults in the General Population. Nutrients. 2024 Jan 29;16(3):391. doi: 10.3390/nu16030391. PMID: 38337676; PMCID: PMC10857599.
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0753332223016566?via%3Dihub

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