Suplementação de micronutrientes para reduzir o risco cardiovascular

A suplementação de micronutrientes para redução do risco cardiovascular surge como uma estratégia promissora no campo da Prática Ortomolecular preventiva e terapêutica. A hipertensão arterial (HA) e a dislipidemia são fatores de risco cruciais para uma série de doenças cardiovasculares (DCV), incluindo insuficiência cardíaca, doença renal crônica, acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos. Neste contexto, os micronutrientes, como a vitamina C, a vitamina D, os ácidos graxos n-3, o magnésio e os fitoquímicos, exercem efeitos fisiológicos benéficos. Em primeiro lugar, atuam como antioxidantes, neutralizando os radicais livres e reduzindo a atividade inflamatória e plaquetária. Além disso, mantêm a homeostase celular e melhoram a função endotelial, aspecto crucial na prevenção de DCV. Por outro lado, os radicais livres também influenciam a função das células β e a sensibilidade à insulina, contribuindo para a hiperglicemia e a resistência à insulina, fatores que promovem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Uma meta-análise recente, que analisou um extenso conjunto de dados de 884 ensaios clínicos randomizados com 883.627 participantes, produziu resultados encorajadores. Verificou-se que a suplementação com vários micronutrientes produziu uma diminuição significativa na pressão arterial sistólica e diastólica. Entre os micronutrientes que demonstraram eficácia estão L-arginina (dose média de 6 g/dia; faixa de 1,3 a 30 g/dia), L-citrulina (dose média de 6 g/dia; faixa de 2 a 6 g/dia), ácido fólico (dose média de 5 mg/dia; intervalo de 0,25-15 mg/dia), magnésio (dose média de 400 mg/dia; intervalo de 200-729 mg/dia), ácido α-lipóico (dose média mediana de 600 mg/dia; faixa de 100-2.400 mg/dia), genisteína (dose média de 54 mg/dia; faixa de 50-90 mg/dia) e resveratrol (dose média de 390 mg/dia; faixa de 75-3.000 mg/dia).

Em relação aos perfis lipídicos sanguíneos, a suplementação com antocianina (dose média de 160 mg/dia), ácido fólico (dose média de 5 mg/dia), ácidos graxos n-3 (dose média de 4,25 g/dia), genisteína (54 mg/dia), magnésio (400 mg/dia) e zinco (dose média de 30 mg/dia) também apresentou resultados positivos. Especificamente, foram observadas melhorias nos níveis de colesterol LDL, colesterol total, colesterol HDL e triglicerídeos, indicando um efeito benéfico na saúde cardiovascular.

A nível glicêmico, a curcumina, zinco, L-arginina, ácido fólico, vitamina D, catequina, flavanol e a genisteína demonstraram reduções significativas em parâmetros como a hemoglobina A1C, a glicemia de jejum e a insulina sanguínea.

Em resumo, estes resultados destacam a relevância da suplementação de micronutrientes como uma estratégia eficaz para melhorar a saúde cardiovascular através da modulação da pressão arterial, perfis lipídicos e níveis glicêmicos. Destacam também a importância da adoção de uma dieta equilibrada e rica em micronutrientes como parte de uma abordagem abrangente à prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares.

Referências: Shirvani H, Bazgir B, Shamsoddini A, Saeidi A, Tayebi SM, Escobar KA, Laher I, VanDusseldorp TA, Weiss K, Knechtle B, Zouhal H. Oregano (Origanum vulgare) Consumption Reduces Oxidative Stress and Markers of Muscle Damage after Combat Readiness Tests in Soldiers. Nutrients. 2022 Dec 28;15(1):137. doi: 10.3390/nu15010137. PMID: 36615794; PMCID: PMC9823977.