Suplementação com isoflavonas de soja na pressão arterial

A hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV). Apesar das diversas estratégias médicas disponíveis para prevenção e controle da hipertensão, como mudanças no estilo de vida, aumento da atividade física e adoção de uma dieta saudável, a prevalência dessa condição continua a crescer, representando um problema de saúde pública global.

Nesse cenário, a prática ortomolecular pode oferecer novas abordagens. Evidências recentes indicam que a suplementação com nutrientes específicos, como as isoflavonas, está associada à redução da pressão arterial. As isoflavonas de soja, incluindo genisteína, daidzeína e gliciteína, são fitoestrógenos que possuem diversas funções fisiológicas, como propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e cardioprotetoras.

Estudos experimentais em modelos animais demonstraram que a genisteína e a daidzeína têm efeitos anti-hipertensivos, sugerindo seu potencial benefício no controle da pressão arterial em humanos. Além disso, estudos de maior evidência, como meta-análises, mostraram que a suplementação de isoflavonas de soja está associada à redução significativa da pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) em intervenções de longo prazo (pelo menos 6 meses).

Um exemplo disso é o estudo de Lei L, que analisou 24 ensaios clínicos randomizados com um total de 1.945 participantes, sendo 1.005 no grupo que recebeu isoflavonas de soja e 940 no grupo controle. Os participantes incluíam indivíduos saudáveis e pacientes com condições como diabetes tipo 2, síndrome metabólica, resistência à insulina e doença hepática gordurosa não alcoólica. A duração das intervenções variou de 1 a 24 meses, com uma mediana de 6 meses, e as doses de isoflavonas de soja variaram de 40 a 300 mg/dia.

Os resultados mostraram que a suplementação com isoflavonas de soja reduziu significativamente a PAS (ADM, -1,40 mmHg; IC 95%, -2,62 a -0,14 mmHg). A análise de subgrupos indicou que essa redução foi mais significativa em intervenções com duração mínima de 6 meses, no grupo que utilizou isoflavonas de soja mistas, e em estudos que incluíram tanto indivíduos saudáveis quanto aqueles com síndrome metabólica e pré-hipertensão.

Embora não tenha sido observada uma relação dose-resposta clara entre a quantidade de isoflavonas ou a duração da intervenção e a PAS e PAD, vários fatores podem influenciar o metabolismo e a absorção das isoflavonas de soja, como a microbiota intestinal, dieta e níveis de estrogênio endógeno. Além disso, a raça pode afetar a biodisponibilidade das isoflavonas. Na meta-análise, observou-se que, após o consumo prolongado, os caucasianos apresentaram maior aumento na concentração plasmática de daidzeína e genisteína em comparação com os asiáticos, sugerindo disparidades raciais na farmacocinética dessas substâncias.

Outro fator relevante são os metabólitos das isoflavonas, como o equol, que possui maior biodisponibilidade e atividade antioxidante em comparação com outras isoflavonas, podendo ser o principal responsável pelos benefícios cardiovasculares observados.

Em resumo, a suplementação com isoflavonas de soja apresenta um potencial significativo na redução da pressão arterial, especialmente em intervenções de longo prazo, com variações nos efeitos dependendo de fatores individuais. Devido às suas propriedades antioxidantes e cardioprotetoras, as isoflavonas de soja devem ser consideradas uma estratégia eficaz no tratamento da hipertensão e na promoção da saúde cardiovascular.

Referência:

Lei L, Hui S, Chen Y, Yan H, Yang J, Tong S. Effect of soy isoflavone supplementation on blood pressure: a meta-analysis of randomized controlled trials. Nutr J. 2024 Mar 7;23(1):32. doi: 10.1186/s12937-024-00932-6. Erratum in: Nutr J. 2024 May 17;23(1):53. doi: 10.1186/s12937-024-00941-5. PMID: 38454401; PMCID: PMC10918941.
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10918941/

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