O merecido reconhecimento de novas hipersensibilidades e o impacto da microbiota e da barreira epitelial

Foram recentemente identificados novos endotipos para diversas doenças alérgicas. Este documento de posição da Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica (EAACI) aborda esse avanço e propõe uma nomenclatura moderna e ampliada para as doenças alérgicas e reações de hipersensibilidade.

As reações de hipersensibilidade, descritas originalmente por Gell e Coombs, foram expandidas para nove tipos distintos, que incluem:

  • Reações mediadas por anticorpos (tipos I a III);

  • Reações mediadas por células (IVa a IVc);

  • Mecanismos teciduais (V e VI);

  • E respostas diretas a substâncias químicas (VII).

Os tipos V e VI envolvem defeitos na barreira epitelial e desregulação imunológica induzida por alterações metabólicas. Já as respostas diretas a substâncias químicas são classificadas como tipo VII.

No tipo V, o comprometimento da barreira epitelial intestinal e cutânea facilita a ativação do sistema imune subjacente, resultando em inflamação crônica persistente. Esse reconhecimento é importante, pois demonstra como fatores ambientais e metabólicos podem alterar diretamente a integridade das barreiras epiteliais, contribuindo para o desenvolvimento de novas formas de hipersensibilidade.

A disbiose microbiana, observada em regiões com barreiras epiteliais inflamatórias e permeáveis, também desempenha papel relevante. A redução da biodiversidade e as mudanças na composição e no metabolismo da microbiota intestinal e cutânea estão associadas a condições inflamatórias como asma, doenças alérgicas, doença inflamatória intestinal, diabetes tipo 1 e obesidade. Tanto a disbiose quanto a translocação bacteriana têm sido relacionadas à exacerbação de doenças alérgicas e autoimunes.

Nos casos de diabetes e obesidade, a desregulação metabólica está fortemente associada à aumento da permeabilidade da barreira epitelial, acompanhada de inflamação crônica de baixo grau no intestino e no tecido adiposo.

As reações de tipo VII podem ocorrer em pacientes com rinite alérgica, rinoconjuntivite alérgica, asma, dermatite atópica, urticária aguda/angioedema e alergia a medicamentos.

A abordagem baseada em endotipos pode contribuir para o desenvolvimento de novas ferramentas diagnósticas e estratégias terapêuticas mais específicas, aprimorando o manejo das doenças alérgicas e guiando futuras pesquisas translacionais. Essa visão abre espaço para o estudo de intervenções sobre o microbioma e o ambiente, com o objetivo de reduzir o risco de reações de hipersensibilidade e promover equilíbrio imunometabólico — aspectos que também se relacionam às abordagens da prática ortomolecular.

Referência:
Jutel M, Agache I, Zemelka-Wiacek M, et al. Nomenclature of allergic diseases and hypersensitivity reactions: Adapted to modern needs: An EAACI position paper. Allergy. 2023 Nov;78(11):2851-2874. doi: 10.1111/all.15889. Epub 2023 Oct 10. Erratum in: Allergy. 2024 Jan;79(1):269-273. doi: 10.1111/all.15983. PMID: 37814905.
Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/all.15889

Mecanismos de hipersensibilidad tipo V; incluyen asma, AR/ARC crónica, CRS, DA, FPIES, EoE y enfermedad celíaca. El defecto de la barrera epitelial y la disbiosis microbiana conducen a la desregulación de la respuesta inmune, incluyendo la activación extensiva de las respuestas T1, T2 y T17 combinada con la pérdida de Treg, Bregs e ILCregs. Además, la formación de sIgE a alérgenos inhalados o ingeridos, la activación de Mφ, MC y BAS y la liberación de citocinas proinflamatorias, quimiocinas y mediadores inflamatorios (histamina, leucotrienos, ROS). La secuencia de eventos eventualmente conduce al daño tisular que se puede observar en asma, AR/ARC crónica, CRS, DA, FPIES, EoE y enfermedad celíaca. La respuesta inmune a patógenos oportunistas y comensales, por ejemplo, Staphylococcus aureus (translocación del microbioma) conduce a la producción de anticuerpos IgE contra ellos. Ab, anticuerpo; AD, dermatitis atópica; AR/ARC, rinitis alérgica/rinoconjuntivitis; BAS, basófilo; Breg, células reguladoras B; CRS, rinosinusitis crónica; DC, célula dendrítica; EOS, eosinófilo; EoE, esofagitis eosinofílica; IL, interleucina; ILC, célula linfoide innata; ILCreg, células reguladoras de ILC; MC, mastocito; Mφ, macrófago; FPIES, síndrome de enterocolitis inducida por proteínas alimentarias; ROS, especies reactivas de oxígeno; sIgE, inmunoglobulinas específicas de alérgeno clase E; Th1/2/17, linfocito T cooperador tipo 1/2/17; Treg, células T reguladoras; TSLP, linfopoyetina estromal tímica.

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