L-arginina: uma abordagem promissora para o tratamento da obesidade

A obesidade é uma epidemia global crescente que afeta pessoas de várias idades e grupos étnicos e contribui significativamente para o desenvolvimento de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, distúrbios articulares e musculares, além de problemas psicológicos.

Em indivíduos com sobrepeso, são observadas concentrações séricas elevadas de óxido nítrico (NO) em comparação com indivíduos com peso normal. Esse fenômeno pode ser devido, em parte, ao aumento da expressão da óxido nítrico sintase induzível (iNOS) na obesidade. O NO desempenha um papel crucial na redução do estresse oxidativo e na melhoria da sensibilidade à insulina, fatores essenciais para o equilíbrio do peso corporal.

O tecido adiposo branco, por sua vez, pode ser uma importante fonte de produção de NO por meio da óxido nítrico sintase endotelial e induzível (eNOS e iNOS). Foi proposto que o NO, por meio da captação de glicose estimulada pela insulina, está envolvido no metabolismo do tecido adiposo.

Devido ao fracasso das abordagens convencionais de redução de peso em alguns indivíduos, o uso de alternativas, como suplementos para perda de peso, tem sido explorado pela medicina ortomolecular.

A L-arginina, um aminoácido semi-essencial que representa 7% da ingestão de aminoácidos na dieta humana, desempenha um papel crucial na produção de NO por meio da óxido nítrico sintase (NOS). Ela também contribui para a eliminação de radicais livres e melhora o equilíbrio de nitrogênio.

Foi demonstrado que a suplementação de L-arginina melhora a função endotelial, a secreção e a sensibilidade à insulina e reduz a inflamação, fatores que estão associados a complicações relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Uma meta-análise recente mostrou uma redução significativa na circunferência da cintura após a suplementação com L-arginina. A suplementação com L-arginina tendeu a reduzir a circunferência da cintura em uma média de 2,97 cm em comparação com o placebo.

Por sua vez, um estudo piloto também demonstrou que a administração, neste caso de 3 g de L-arginina três vezes ao dia (9 gramas no total por dia) durante 12 semanas levou a uma redução significativa na circunferência da cintura.

É importante ressaltar que, embora o peso corporal e o índice de massa corporal (IMC) não sejam medidas precisas da massa gorda, a suplementação com L-arginina por pelo menos 8 semanas e em doses inferiores a 8 g/dia demonstrou reduzir significativamente o IMC e o peso corporal. Entretanto, é importante observar que os resultados podem variar dependendo da dose e da duração dos estudos.

Para evitar efeitos colaterais, foi recomendada uma dose máxima de 20 g de L-arginina por dia na forma de suplemento. Isso permite uma abordagem segura e eficaz para o uso desse aminoácido no tratamento da obesidade.

Em resumo, a L-arginina apresenta-se como uma abordagem promissora no tratamento da obesidade. Sua capacidade de melhorar a função endotelial e reduzir a inflamação, juntamente com as evidências de uma redução significativa na circunferência da cintura, apoia seu potencial como suplemento no controle do peso corporal.

 

Referencia: Mousavi SM, Milajerdi A, Fatahi S, Rahmani J, Zarezadeh M, Ghaedi E, Varkaneh HK. The effect of L-arginine supplementation on obesity-related indices: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Int J Vitam Nutr Res. 2021 Jan;91(1-2):164-174. doi: 10.1024/0300-9831/a000523.

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