Intervenções com Vitaminas no Transtorno do Espectro Autista (TEA) e no Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH): Revisão Sistemática e Metanálise

O interesse pelo papel da nutrição nos transtornos do neurodesenvolvimento tem crescido de forma constante, e a suplementação com vitaminas tornou-se um dos focos de pesquisa mais ativos no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Uma metanálise publicada recentemente na revista Neuropsychiatric Disease and Treatment reuniu e analisou as evidências disponíveis até fevereiro de 2025, incluindo 22 ensaios clínicos controlados com mais de 1.500 participantes. O objetivo foi avaliar sistematicamente se as intervenções com vitaminas promovem um impacto clinicamente relevante na melhora de sintomas característicos desses transtornos, como desatenção, hiperatividade, disfunção social ou comportamentos repetitivos.

Os resultados globais da análise demonstraram um efeito positivo moderado das vitaminas na redução da sintomatologia, com tamanho de efeito padronizado de aproximadamente 0,41. Esse dado sugere que a suplementação pode representar um benefício adicional aos tratamentos convencionais. No entanto, a heterogeneidade entre os estudos foi bastante elevada, refletindo a ampla variabilidade no desenho das pesquisas: diferentes faixas etárias, critérios diagnósticos, doses utilizadas, duração das intervenções e escalas de avaliação clínica.

Ao analisar os resultados por diagnóstico, observou-se que os benefícios foram mais consistentes no TDAH do que no TEA. No primeiro caso, a suplementação, em especial com vitamina D, esteve associada a melhorias significativas na atenção e no comportamento, alcançando tamanhos de efeito próximos de 0,77 em algumas análises. Esses resultados reforçam o interesse crescente pela vitamina D não apenas na saúde óssea e imunológica, mas também na modulação da neurotransmissão e da plasticidade neuronal.

No TEA, os resultados globais não alcançaram significância estatística. Contudo, a análise por subgrupos revelou que as vitaminas do complexo B apresentaram benefícios, sobretudo na redução de comportamentos estereotipados e em certa melhora da regulação emocional. Esse achado é coerente com o papel central das vitaminas B em processos de metilação, metabolismo de neurotransmissores e regulação do estresse oxidativo.

Em contraste, os estudos com multivitamínicos não mostraram evidências sólidas de benefícios em nenhum dos dois transtornos. Isso sugere que a efetividade depende mais da correção de déficits nutricionais específicos do que da administração de suplementos amplos e não direcionados. Além disso, os autores destacaram que o risco de viés dos estudos incluídos foi baixo na maioria, embora persistam limitações importantes: poucos trabalhos de grande porte, dificuldades no cegamento e falta de uniformidade na mensuração de resultados.

Para a prática clínica, essa metanálise traz mensagens-chave: a suplementação vitamínica pode ser considerada uma estratégia complementar com potencial de benefício — especialmente vitamina D no TDAH e vitaminas do complexo B no TEA — sempre dentro de uma abordagem integral que inclua intervenções comportamentais, educacionais e, quando necessário, farmacológicas. A evidência atual sugere a importância de se considerar a suplementação de forma direcionada, focada em déficits específicos e alinhada aos princípios da prática ortomolecular, que busca o equilíbrio bioquímico individual.

Referência: Shen Y, Xie Y, Zheng Y, Zheng Y, Liu Y. Vitamin Interventions in ASD and ADHD: Systematic Review and Meta-Analysis. Neuropsychiatr Dis Treat. 2025 Aug 30;21:1845-1855. doi: 10.2147/NDT.S553063. PMID: 40910091; PMCID: PMC12407005.

https://www.dovepress.com/vitamin-interventions-in-asd-and-adhd-systematic-review-and-meta-analy-peer-reviewed-fulltext-article-NDT

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