Efeito Imunomodulador da Vitamina D na Doença de Graves
A doença de Graves (DG) é uma patologia autoimune órgão-específica caracterizada pela presença de anticorpos antirreceptores de tireotropina (TRAbs). Esses anticorpos ativam o receptor do hormônio estimulante da tireoide (TSH), o que eleva a produção e a liberação de hormônios tireoidianos, gerando um estado de hipertireoidismo.
As opções terapêuticas atuais incluem o iodo radioativo (RAI), medicamentos antitireoidianos (DATs) e a tireoidectomia. No entanto, cada uma apresenta limitações significativas: o RAI e a tireoidectomia frequentemente induzem o hipotireoidismo permanente, exigindo reposição hormonal vitalícia, enquanto os DATs estão associados a uma taxa considerável de recorrência e potenciais reações adversas, como comprometimento da função hepática e agranulocitose.
Essas limitações têm motivado a busca por estratégias complementares, entre as quais a prática ortomolecular propõe abordar a base imunológica da condição. Nesse contexto, a vitamina D (VD) tem despertado especial interesse devido ao seu papel imunomodulador. Sua interação com células do sistema imune sugere que ela pode influenciar o desenvolvimento da DG por meio da regulação dos linfócitos T e B. A deficiência de vitamina D pode contribuir para a perda da tolerância imunológica central e periférica aos antígenos tireoidianos, favorecendo a diferenciação de linfócitos T em subpopulações efetoras em detrimento das células T reguladoras.
As evidências que sustentam essa hipótese derivam de uma meta-análise que incluiu 12 estudos, com um total de 937 pacientes com DG e 3.254 controles saudáveis. Todos os estudos avaliaram os níveis séricos de VD, utilizando diferentes métodos analíticos, como ensaios competitivos de ligação de proteínas (CPBA), imunoensaio enzimático (ELISA), imunoensaio de eletroquimioluminescência (ECLIA), entre outros.
A análise geral revelou que pacientes com DG apresentaram níveis séricos de VD significativamente mais baixos em comparação aos controles saudáveis [Diferença Média Padronizada (DMP) = −0,66; IC 95%: −1,05 a −0,27; p = 0,001]. Um achado relevante foi a influência do método de mensuração nos resultados, reforçando a necessidade de padronização nos procedimentos de triagem para conclusões mais consistentes.
Em conjunto, os resultados corroboram a associação entre baixos níveis séricos de VD e o desenvolvimento da DG. Essa descoberta reforça o papel imunomodulador da vitamina D nesta patologia e aponta para a viabilidade de considerar sua suplementação como uma estratégia adjuvante na gestão da saúde de pacientes com Doença de Graves.
Referência: Pang B, Li L, Liu X, Cao Z, Pang T, Wang Q, Wei J. Association between serum vitamin D level and Graves’ disease: a systematic review and meta-analysis. Nutr J. 2024 Jun 7;23(1):60.