Dispepsia funcional: origem, sintomas e benefícios do uso de ervas

A prevalência da dispepsia varia em diferentes populações devido a diferentes interpretações e manifestações dos sintomas, critérios diagnósticos adotados, fatores ambientais e prevalência local de doenças subjacentes, como úlcera péptica e câncer gástrico.

A Diretriz de Prática Clínica mais recente para dispepsia funcional (DF) em 2021 define a DF como uma condição caracterizada por sintomas crônicos na parte superior do abdômen, como dor ou desconforto epigástrico, na ausência de doenças orgânicas, sistêmicas ou metabólicas que possam explicar os sintomas.

Estudos sugerem que a hipersensibilidade visceral e a motilidade gástrica anormal são as principais anormalidades fisiológicas que causam os sintomas da DF. Outros fatores, como aumento da secreção de ácido gástrico, presença de Helicobacter pylori, anormalidades psicofisiológicas, dieta, estilo de vida e formato do estômago, podem modular a expressão dos sintomas da DF. Recentemente, também foi relatado que a disbiose pode estar relacionada a uma resposta alterada da digestão.

Em pacientes com DF, estímulos nocivos no duodeno podem desencadear o mau funcionamento gástrico, levando a sintomas dispépticos. Acredita-se que a dispepsia ocorra devido à transmissão de estímulos nocivos da mucosa duodenal por meio de nervos aferentes, resultando em anormalidades da motilidade gástrica e hipersensibilidade gástrica. A microinflamação e o aumento da permeabilidade da mucosa duodenal também podem contribuir para esse fenômeno.

Fatores de estilo de vida, como falta de exercícios, distúrbios do sono, consumo excessivo de gordura e padrões alimentares irregulares, estão implicados na fisiopatologia da DF.

No tratamento de primeira linha da DF, mudanças no estilo de vida e na dieta têm se mostrado eficazes, com uma forte recomendação (100%) e um nível B de evidência. Recomenda-se regular o tamanho das porções e o teor de gordura das refeições, além de evitar café, álcool e fumo.

Estudos têm mostrado que o uso de plantas e ervas medicinais pode ser uma forma de medicina alternativa para tratar os sintomas da dispepsia. Óleo de hortelã-pimenta, óleo de cominho e Curcuma longa têm demonstrado redução dos sintomas e melhoria da qualidade de vida em pacientes com DF. Além disso, um estudo clínico recente mostrou que uma combinação de aipo e ajwain (Apium graveolens L. e Trachyspermum copticum [L.]) teve resultados significativos na redução da gravidade dos sintomas em comparação com a domperidona, um medicamento padrão.

Em resumo, as mudanças no estilo de vida e na dieta desempenham um papel fundamental no tratamento da dispepsia funcional. O uso de ervas e óleos essenciais tem mostrado resultados promissores na redução dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida em pacientes com esse distúrbio.

 

 

Bibliografía

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