Disbiose da microbiota gástrica e infecção por Helicobacter pylori

A infecção por Helicobacter pylori (H. pylori) é uma das causas mais comuns de doença gástrica e, entre as doenças extraintestinais, estão as doenças autoimunes, anemia ferropriva e doenças cardio e cerebrovasculares. O aumento persistente da resistência a antibióticos em todo o mundo tornou a erradicação do H. pylori um desafio para os médicos. O estômago não é estéril e é caracterizado por um nicho único. Comunidades bacterianas em estômagos saudáveis não foram amplamente caracterizadas. No entanto, estudos descobriram que Firmicutes, Proteobacteria, Bacteroidetes, Actinobacteria e Fusobacteria são os filos mais proeminentes na mucosa gástrica, e Streptococcus, Prevotella, Fusobacterium, Veillonella, Neisseria e Haemophilus são os gêneros mais prevalentes.

A composição da microbiota gástrica é altamente dinâmica, pois muda com:

  • a infecção por H. pylori,
  • exposição a antibióticos,
  • consumo de probióticos,
  • uso de IBP ou antagonista H2,
  • hábitos alimentares,
  • idade,
  • suplementação vitamínica (especialmente D3),
  • imunossupressão e, potencialmente, geografia e microbiota intestinal.

Pacientes com hipocloridria têm muitas bactérias urease-positivas além do H. pylori, como Actinomyces, Corynebacterium, Haemophilus, Streptococcus e Staphylococcus. Foi relatado que a infecção por H. pylori modula a diversidade de micróbios gástricos. Esta atua produzindo urease, que transforma a ureia em dióxido de carbono e amônia para neutralizar o ambiente ácido do estômago e facilitar sua colonização. Alterações na secreção ácida causadas por H. pylori podem permitir que microorganismos ingeridos sobrevivam ao trânsito pelo estômago, que já não é tão ácido como deveria.

O uso de probióticos demonstrou reduzir a patologia gástrica induzida por H. pylori com reduzida infiltração inflamatória e incidência de lesões pré-cancerosas, aumentando as taxas de erradicação de H. pylori e reduzindo os efeitos colaterais em humanos. Também foi estudado o efeito da terapia quádrupla suplementada com probióticos na microecologia gástrica. Bifidobacterium e os lactobacilos aumentaram e, em contraste, os níveis de bactérias potencialmente patogênicas, incluindo Fusobacterium e Campylobacter, diminuíram. A diversidade microbiana foi mais próxima da dos indivíduos negativos para H. pylori após o tratamento de erradicação suplementado com probióticos. Lactobacillus reuteri, S. boulardii, Lactobacillus rhamnosus JB3, Lactobacillus brevis BK11 e Enterococcus faecalis BK61, Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgaricus, Lactobacillus salivarius B37 e B60, Lactobacillus fermentum P2, Lactobacillus casei L21, LR-JB3 foram as cepas encontradas que produziram efeitos diretos ou indiretos no controle da infecção. A regulação da microecologia gástrica pode desempenhar um papel importante na erradicação do H. pylori.

Referência: Zhang L, Zhao M, Fu X. Gastric microbiota dysbiosis and Helicobacter pylori infection. Front Microbiol. 2023 Mar 30;14:1153269. doi: 10.3389/fmicb.2023.1153269. PMID: 37065152; PMCID: PMC10098173.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10098173/figure/F2/

 

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