Papel das Vitaminas Hidrossolúveis no Controle Glicêmico
O diabetes tipo 2 (DM2) é caracterizado principalmente pela resistência à insulina e pela deterioração progressiva da função das células β pancreáticas. Fatores como estresse oxidativo, disfunção endotelial e inflamação favorecem sua progressão. O controle glicêmico, avaliado por meio da glicemia de jejum (FBG) e da hemoglobina glicada (HbA1c), é fundamental para mitigar complicações como retinopatia, nefropatia e o aumento da mortalidade.
Dentro da prática ortomolecular, as vitaminas hidrossolúveis ganharam relevância devido ao seu papel como coenzimas no metabolismo energético e à sua capacidade antioxidante. Vitaminas como a C, B1, B3, biotina e ácido fólico (B9) podem auxiliar na modulação da inflamação, do estresse oxidativo e da resistência à insulina.
Uma metanálise recente avaliou intervenções com vitaminas hidrossolúveis em pacientes com DM2. Foram analisadas cinco vitaminas: B1 (1 estudo), B3 (2 estudos), biotina (1 estudo), ácido fólico (4 estudos) e vitamina C (6 estudos). As intervenções variaram amplamente: tiamina em doses de 100–900 mg/dia por 1 a 3 meses; niacina 150–4500 mg/dia por 8 a 64 semanas; biotina 1,5–15 mg/dia por 4 semanas a 3 meses; ácido fólico 0,5–15 mg/dia por 2 semanas a 7,3 anos; e vitamina C 72–6000 mg/dia por 14 dias até 9 anos.
Os resultados indicaram que a suplementação com ácido fólico pode reduzir a glicemia de jejum. Uma metanálise específica em DM2 relatou um tamanho de efeito de –2,17 mg/dL (IC 95%: –3,69; –0,65), enquanto outra análise mais ampla mostrou reduções que variaram entre –2,17 (IC 95%: –3,69; –0,65) e –0,15 mg/dL (IC 95%: –0,29; –0,01).
Por sua vez, a vitamina C também apresentou evidência consistente na redução da FBG, com tamanhos de efeito agrupados variando de –20,59 (IC 95%: –40,77; –0,4) até –0,44 (IC 95%: –0,81; –0,07). Além disso, tratamentos com duração superior a 30 dias apresentaram efeitos ainda mais significativos (–0,53; IC 95%: –0,97; –0,10). Esses benefícios são atribuídos ao potencial efeito antioxidante do ácido ascórbico, capaz de neutralizar radicais livres e reduzir o estresse oxidativo.
Em contraste, a tiamina e a biotina não mostraram efeitos estatisticamente significativos sobre a glicemia de jejum nas análises gerais. A niacina também não apresentou efeitos importantes de modo global; no entanto, estudos com doses elevadas ou durações superiores a 20 semanas demonstraram redução significativa da FBG.
Em relação à HbA1c, duas das quatro metanálises (50%) encontraram que a vitamina C reduziu esse marcador, com tamanhos de efeito entre –0,54 (IC 95%: –0,90; –0,17) e –0,37 (IC 95%: –0,57; –0,17). A tiamina, a niacina e o ácido fólico não apresentaram mudanças significativas nas análises gerais, mas doses elevadas de niacina demonstraram efeito positivo sobre a HbA1c (0,90; IC 95%: 0,21–2,41).
Quanto à insulina, uma metanálise em DM2 observou que o ácido fólico produziu reduções significativas (–1,63; IC 95%: –2,53; –0,73). De forma semelhante, o ácido fólico reduziu o HOMA-IR em duas metanálises, com variações entre –1,07 (IC 95%: –1,80; –0,33) e –0,40 (IC 95%: –0,70; –0,09).
Em conjunto, as evidências indicam que o ácido fólico pode auxiliar na melhora dos níveis de insulina e do HOMA-IR, enquanto a vitamina C associa-se à redução da glicemia de jejum e da HbA1c. Portanto, ambas as vitaminas apresentam potencial benefício no suporte ao controle glicêmico no diabetes tipo 2, especialmente quando administradas em doses e durações adequadas ao perfil clínico.
Referência: Chai Y, Chen C, Yin X, Wang X, Yu W, Pan H, Qin R, Yang X, Wang Q. Effects of water-soluble vitamins on glycemic control and insulin resistance in adult type 2 diabetes: an umbrella review of meta-analyses. Asia Pac J Clin Nutr. 2025.